Eclesiologia

O Governo da Igreja na Perspectiva Presbiteriana

Eric Lima
O Governo da Igreja na Perspectiva Presbiteriana

[O artigo abaixo se trata de texto para teste]

A forma como a igreja de Jesus Cristo é organizada e governada não é um tema secundário; é uma questão de fidelidade às Escrituras. Para a tradição Reformada e Presbiteriana, o modelo de governo não é uma invenção humana de conveniência, mas um reflexo da ordem estabelecida por Cristo através dos seus apóstolos. A ênfase recai sobre a autoridade de um corpo de presbíteros, homens qualificados e reconhecidos pela congregação, em contraste com o modelo monárquico ou o congregacionalismo puro.

O Princípio da Pluralidade de Presbíteros

No Novo Testamento, observamos consistentemente que a liderança das igrejas locais era exercida por mais de um homem. A palavra grega presbyteros (anciãos) é quase sempre utilizada no plural, indicando um colegiado, um conselho. Este sistema de pluralidade serve como um importante mecanismo de proteção contra o abuso de poder e a tirania individual. Um só líder, por mais ungido que seja, está sujeito a falhas e desvios doutrinários e morais.

A Distinção entre Regente e Docente

Paulo, em 1 Timóteo 5:17, faz uma distinção crucial, embora complementar, dentro do ofício de presbítero. Ele menciona aqueles que "presidem bem" e aqueles que "se afadigam na pregação e no ensino". Historicamente, isso levou à diferenciação entre o Presbítero Regente (focado na administração, disciplina e pastoreio) e o Presbítero Docente (o pastor, dedicado à Palavra e aos Sacramentos). Ambos são iguais em autoridade, mas distintos em função, garantindo que tanto a administração quanto a doutrina sejam devidamente zeladas.

A história da igreja demonstra que onde a pluralidade de liderança bíblica é abandonada em favor da monarquia episcopal ou da democracia congregacional, a porta se abre para heresias e abusos de autoridade.

O Sistema Representativo (Conciliar)

Além do governo plural na igreja local (o Conselho ou Consistório), o presbiterianismo enfatiza a conexão entre as igrejas através de concílios: o Presbitério, o Sínodo e a Assembleia Geral. Este sistema de governo representativo é inspirado no Concílio de Jerusalém (Atos 15), onde presbíteros e apóstolos de diferentes lugares se reuniram para deliberar sobre uma questão que afetava toda a Igreja.

A ausência de um governo conciliar frequentemente resulta em isolacionismo, onde cada igreja se torna uma "ilha" doutrinária, incapaz de prestar contas ou de receber o apoio de outras congregações fiéis. A beleza do sistema conciliar é que ele une as igrejas em um pacto de fé, mantendo a unidade e a pureza doutrinária sob a autoridade maior de Cristo, mediada pelas Escrituras.

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